23 de ago de 2012

Espiritualidade melhora saúde independentemente da religião


Tratamentos espiritualizados
Apesar das diferenças nas crenças e nos rituais entre as diversas religiões, a espiritualidade sempre melhora as condições de saúde das pessoas.
A conclusão é de um estudo realizado por cientistas da Universidade de Missouri (EUA).
Segundo eles, os profissionais de saúde devem aproveitar essa correlação entre a saúde - especialmente a saúde mental - e a espiritualidade, para desenvolver tratamentos e programas de reabilitação de acordo com as inclinações espirituais de cada paciente.
Perdão
O estudo envolveu a análise da correlação entre saúde mental e física, fatores de personalidade e espiritualidade entre budistas, muçulmanos, judeus, católicos e protestantes.
Em todas as cinco religiões, um maior grau de espiritualidade mostrou-se estreitamente correlacionado com uma melhor saúde mental, níveis mais baixos de neuroticismo e maior extroversão.
perdão, ou a capacidade de perdoar, foi a única característica espiritual que conseguiu prever o estado de saúde mental dos voluntários, depois que todas as variáveis de personalidade foram consideradas.
Estilo espiritualizado
"Os resultados do nosso estudo suportam a ideia de que a espiritualidade funciona como uma característica da personalidade," explica o Dr. Dan Cohen, coordenador do estudo.
Isso porque os benefícios que a espiritualidade traz à saúde não apresentam correlação com o número de vezes que a pessoa vai ao templo ou participa de reuniões formais da sua religião.
Cohen acredita que a espiritualidade pode ajudar a melhorar a saúde mental das pessoas reduzindo o seu egocentrismo e desenvolvendo um sentimento de pertencimento a um todo maior.
Tradições religiosas muito diferentes incentivam a Espiritualidade, ainda que usem nomes diferentes para o processo.
Um monge cristão não vai dizer que atingiu o Nirvana, e nem um monge budista vai dizer que alcançou a comunhão com Jesus Cristo, mas ambos estão se referindo a fenômenos similares, conclui o pesquisador.

28 de jun de 2012

Preconceito Mata

Hoje fiz algumas colagens nos meus intervalos da tarde. Foi a forma de expressar minha indignação com mais um assassinato homofóbico.
Dois irmãos foram confundidos com um casal gay na Bahia e por isto foram agredidos e um deles assassinado. http://t.co/ukCQ72ll

É chocante não apenas saber que existem pessoas que são intolerantes a diversidade afetiva a ponto de matar, mas também perceber que estamos chegando ao ponto de não podermos mais expressar nossos sentimentos em sociedade. Se temos filhos dos mesmo sexo, devemos orientá-los a distanciarem-se nas ruas. Se temos uma filha, não podemos abraçá-la, nem beijá-la publicamente se ela já for jovem, adolescente. Podemos ser confundidas com um casal de lésbicas e sermos agredidas!


Mas, se não somos nós com nossos filhos que estamos em risco, são nossas próprias crianças! Você que está grávida, tem a certeza de que seu bebê não será homossexual? Você que é pai, mãe e tem crianças ou adolescentes em casa. Não há como garantir que seu filho não será a próxima vítima da homofobia, do preconceito descontrolado! Qualquer criança pode ser homossexual! Vamos nós mesmos rejeitá-las? Deixá-las de amar? Encaminhá-las para pseudo-tratamentos? Ou ficaremos em casa, torcendo ou rezando para que, depois de crescidos, nossos filhos voltem com vida das ruas?


  A violência contra homossexuais é uma violência contra cada um de nós. Homossexuais são os nossos filhos, nossos irmãos, nossos primos, tios, pais. Eles estão e são a nossa família e devemos ao menos manifestar nossa indignação com esta violência absurda! Somos todos iguais, porque todos somos diferentes e imperfeitos. Alguém já disse que a beleza está nas diferenças e eu concordo.

Já é hora dos homofóbicos se auto-analisarem. De onde vem tanto incômodo? De onde vem tanta raiva? Em que lhes afeta saber que dois homens fazem sexo anal? Vocês próprios devem gostar de sexo anal! Por que lhes perturba a ideia de duas mulheres que fazem sexo oral? Vocês certamente fazem e recebem!

Não aceitem o "tenho raiva porque não é normal homem com homem, mulher com mulher" como resposta! Garanto que esta não é a razão. Afinal de contas, o que é normal de fato? Quem estabeleceu? A Bíblia também não serve como resposta. A Bíblia foi feita por homens e com pouquíssimas palavras pra usar de recurso.

Você é capaz de renegar seu filho, seu pai, seu irmão por ser homossexual? Você sente vontade de sair e espancar todos os gays que você vê pela frente? Tem desejo de estuprar lésbicas, "só pra elas aprenderem"? Seja qual for sua razão, você precisa de tratamento! Seu caso tem cura, basta que você se submeta a psicoterapia. Não transfira um problema que é seu para outros grupos. Compreenda, você está fazendo mal para a sociedade. Então o que tenho a pedir é que, ainda que em segredo, busque auxílio profissional. Você não será discriminado por isto.

Abaixo, mais algumas montagens que fiz.


4 de jun de 2012

Brinquedos Infantis e Sexualidade

Aconteceu uma situação super engraçada na minha família e me fez escrever este post. Meu irmão tem dois filhos homens. Neste último domingo, saiu pra passear com o mais novo e parou pra abastecer o carro. Nos postos sempre tem aquelas lojas de conveniência e ele entrou pra comprar alguma coisa. Foi aí que começou o "problema". Meu sobrinho avistou na prateleira de brinquedos um joguinho de panelas. E da cor rosa! Não ouve acordo. Ele cismou, queria porque queria aquelas panelas. Meu irmão tentou oferecer outros brinquedos "de homem" mais foi pior. Ele começou a chorar! Queria a caixa com o conjunto rosa de panelinhas!

Com o choro,meu irmão cedeu. Talvez pra chamar menos atenção pra situação "vexatória" e com muito mau gosto se dirigiu ao caixa, que era homem e lhe perguntou sorrindo: "Foi ele quem escolheu?!" 

Nossa! Que sufoco! Dali foi correr pra casa de minha mãe e lá estavam outras pessoas da família (domingo as pessoas se reúnem). Meu irmão é engenheiro e faixa preta de jiu-jitsu. Não que isto signifique alguma obrigação quanto ao seu comportamento sexual, mas diz um pouco quanto as suas escolhas e preferências no dia a dia. Foi um alívio quando finalmente ele entrou no apartamento - fora do alcance das vistas estranhas -  e logo foi iniciado o desabafo. Depois que todos ouviram e olharam pro estranho brinquedo, cada um começou a dar uma justificativa pra o fato.

Deve ser porque ele mora só com mulheres, dizia minha mãe. (o menino mora com a mãe e a avó materna). Meu sobrinho um dia também quis brincar com um pônei rosa do Mac Donalds disse minha cunhada. Eu mesma quis tranquilizar a todos e falei: Ele pode vir a ser um chef de cozinha!

"Escute. Menino brinca pião, de bola, de carro. Você vai querer brinquedo de moça?!" Sim, o pai estava contrariado. Mas a situação era toda muito engraçada. Aquele suspense disfarçado no ar.


Todos estes movimentos na TV, nas revistas, passeatas pregando a igualdade e coibindo a discriminação, mas no fundo, quem está preparado para dar ao seu filho uma boneca, uma tábua de passar, um jogo de cozinha?!

Não sei se esta pesquisa foi feita, mas parece que na prática ainda ronda o medo de que o filho homem não seja hétero. E este medo aparece nas práticas diárias, no ensino de que menino gosta de menina, brinca de bola, etc.

Na sala de meu filho, percebo crianças de 4 anos usando termos claramente aprendido com adultos ( o pai provavelmente) como "pegar uma gostosa", "ficar com as gatinhas"...O pai busca inicializar o filho desde cedo na masculinidade para que não haja risco de uma possível afeminação do mesmo. 
E isto tem um pouco a ver com meu post anterior. Tem a ver com a idealização dos filhos. Num mundo onde as orientações sexuais estão cada vez mais sendo assumidas, onde ser homofóbico é crime, onde o casamento gay é legalizado, onde nada disto tem volta, só nos resta agora vigiar. Tomar conta. Cuidar para que este "mal" não caia em nossas famílias.

Porque se cair, estará legalizado e os errados seremos nós, os preconceituosos.    

Luciana
Ainda conto com os comentários de vocês!

28 de mai de 2012

STOP - Abuso Emocional



Que estamos vivendo um momento de grande conquistas no sentido de libertação feminina é fato. E isto sai estampado nas capas de revistas. Mulheres que assumem uma produção (filho) independente, chefes de  grandes empresas, taxistas e que reivindicam com marchas públicas o direito de não serem julgadas por seu comportamento sexual ou suas vestimentas.

No entanto, poderia chamar estas mulheres de a nata da parte feminina da população. Todos os dias escuto histórias de pacientes homens e mulheres que me mostram que está longe de se alcançar a libertação feminina.
Inocentes que ainda são, existe um grupo de mulheres que parecem as representantes da Chapeuzinho Vermelho caminhando dia a dia para as garras do lobo mau. Então vou dar aqui algumas sugestões, que soarão redundantes para as feministas, mas que causam espanto para este grupo. Serão poucas e se basearão em histórias reais.

1. Se você nunca fez questão de casar na igreja, mas isto é uma exigência da sua família e do seu noivo, perceba o que talvez esta cerimônia represente para eles. Você será literalmente passada das mãos de seu pai para as mãos de seu marido (simbolicamente um "pai" substituto).

Isto é só parte de um ritual? Pode ser, mas inconscientemente o homem sente uma espécie de 'tomar pose" neste repasse e com base neste pensamento você continuará sob a supervisão de um homem e isto diminuirá a sua autonomia, sua liberdade. Você quer casar, case.Mas deixe claro que estará entrando com suas próprias pernas.

2. Você tem um pai, namora, está noiva ou casada. Não importa. Você sente uma vontade (muitas vezes nem expressa) de por exemplo, fazer uma tatuagem. Você é maior, trabalha, não há razão para que espere a aprovação, nem o contentamento de nenhum destes homens para fazer esta tatuagem! Não diga que "gostaria tanto de fazer..", "que acha tão bonito...". Faça. Eles verão depois e não precisão ficar felizes. O corpo é seu!

3. Seu namorado, noivo não gosta de sair com amigos. Você sofre porque depois que começou o namoro só sai a dois. Reserve um horário pra sair em grupo. Não deixe seus amigos e se isole num apartamento vendo DVD e comendo pipoca com ele no sofá, quando gostaria de estar dando risada e conversando num barzinho. Não fique com vergonha de "chegar sozinha, sem ele". Aproveite pra pensar se quer manter esta relação, já que provavelmente será assim sempre. Ele não passará a te acompanhar depois que estiverem morando na mesma casa.

4. Você começou a namorar um rapaz e descobriu que ele é casado. Deixe que entre num ouvido e saia pelo outro quando ele lhe contar "o quanto está insatisfeito com a mulher, o quanto ela é chata, a quanto eles não transam e que só não a deixa por conta dos filhos". Balela. Não caia na cilada de lhe dar o filho "que ele tanto gostaria de ter com você", a não ser que queira criá-lo sozinha. Isto inclui Natal sem o pai, festinhas de aniversário sem o pai, parto sem o pai,etc. Ele não largará a família. Dê um ultimato. Se ele te ama tanto, que termine com a esposa "chata". Você não vai aceitar viver clandestinamente o resto da vida. Você merece mais!

5. Conheço de filmes a imagem da mesa bem posta, com toalha branca e bem passada e esposa arrumada aguardando o marido chegar do trabalho para jantar com a comida quentinha no forno. Você pode e deve fazer isto, mas quando tiver vontade. Não é sua obrigação. Não aceite se ele ficar bravo e alterar a voz porque você não o esperou com a mesa posta e a comida quentinha. Não faça o prato dele. Só se você quiser, quando achar que deve! Não sinta-se péssima se ele lhe disser o quanto você é uma esposa ruim e ingrata.

6. Não é porque seu marido trabalhou o dia inteiro que você deve estar pronta pra transar com ele a noite, sempre que ele a procurar para isto. Se ele mantem a casa, você faz outras tarefas, tão ou mais estressantes e entendiantes quanto a dele, aí dentro mesmo, enquanto ele está fora. é normal que às vezes sinta-se cansada e sem muita libido.Então diga "não".

7. Poderia ficar aqui escrevendo infinitamente, mas finalizo dizendo que ele não precisa participar da escolha de suas roupas, nem dos seus sapatos, sem da sua maquiagem, de nada relativo a isto. Você tem individualidade, tem seu próprio gosto e certamente tem suas preferências. Veja como você se sente bonita, como você gosta de se vestir e vista-se. Depile-se do jeito e no formato que LHE agradar. Se um dia quiser agradá-lo,tudo bem. Mas não se obrigue.

É isto. Os homens existem, gostamos deles, mas eles precisam de limites.

Beijos e participem com seus pontos de vista!Se gostarem compartilhem. 
Thanks!
Luciana      

   

  

16 de mai de 2012

Filhos Ideais

A quantidade de mulheres que se tornam mães por desejo próprio, por planejamento, que abdicam de horas e horas não só de trabalho, mas também do seu dia a dia, seja com as amigas, com o parceiro, com os cuidados com elas próprias não pode ser chamada de pequena.

Uma varrida na internet e uma chuva de blogs, como o Mamíferas, não me deixam mentir. Tenho a impressão que estas mães vocacionadas e instintuais são menos propensas a idealizarem seus filhos e a projetar neles seus desejos não realizados. Porque elas os amam antes mesmo de concebê-los e se mostram desde o principio "disponíveis" para o papel.

 Mas o oposto também é possível. A vontade enorme de gerar uma criança pode advir de uma carência não suprida, de uma carreira profissional frustrada, da tentativa de "salvar um casamento", enfim.. este grupo de mulheres já iniciam a gestação com segundas intenções.

Não vou discutir quem tem mais ou menos direito de criar expectativas sobre um filho, mas na minha opinião, se você faz parte do grupo que é dotado do instinto materno, que tem disponibilidade para ficar em casa e cuidar dos filhos (sim, eles precisam muito de amor e segurança, o chamado apego seguro e se você pode ofertar, parabéns), que planejou e curtiu cada semana da gestação, com direito a book com a barriga, sapatinhos e o pai da criança além do quartinho caprichosamente decorado com nada descombinando, então seu amor deve ser daqueles incondicionais mesmo. E quando se ama, se aceita. Você preparou-se para gerar uma vida, planejou a data, planejou a decoração do quarto e pode até ter torcido pra que fosse menino ou menina, embora aceitasse qualquer um dos dois. Tem gente que já consegue manipular e escolher o sexo, embora não haja ainda como escolher o gênero. Nem tudo é perfeito!

Tudo bem. Você fez tudo isto, foi uma longa jornada, noites sem encontrar posição que servisse pra dormir por conta do tamanho da barriga, enjoos, gastos, idas mensais ao ginecologista/obstetra, dor do parto, pós-parto, noites insones com o recém nascido, cuidados com alergias, com alimentação, idas mensais ao pediatra, banhos mornos pra espantar as cólicas, bico do peito rachado, bebê mamando ainda assim e o que você pode planejar em retorno? Nada!  

Isto. Não planeje futuro dele, sua carreira, seu comportamento (vai ser falante como o pai, vai ser estudioso como a tia, vai ser talentosa como a mãe, vai fazer o doutorado que eu não consegui fazer, vai ser bailarina ou ainda, vai me dar muitos netos - eu sempre quis ter uma família grande! - vai namorar só meninas de família, vai namorar caras de futuro, vai ser torcedor do Coríntias e fazer companhia pro pai!), será minha grade companhia quando crescer! Você está gerando uma vida mas não pode programá-la.

O que você obviamente pode esperar e se dedicar para que isto aconteça? Você pode esperar que a educação que você deu surta efeito,que seus bons exemplos tenham servido como aprendizado, que sua moralidade e seu respeito ao próximo possam ter sido enxergados e apreendidos. Você pode desejar e esperar tornar seu bebê em um adulto de bem.

Sua vocação profissional não esta em suas mãos, seu talento para o esporte, música, dança não depende do seu desejo, sua vida amorosa, seu estado civil também não, sua sexualidade (se será hétero ou homossexual ou trans, etc) muito menos. Saiba você teve um menino ou uma menina, uma pessoa com órgão sexual masculino ou feminino e para nisto. Não conclua que terá por isto, nora e genro respectivamente.Nem netos!

                      É difícil pra muitos pais contarem com esta possibilidade mas ela existe!

Evite passar para seus filhos(as) as expectativas que você faz a respeito deles(as). A criança precisa de você, de seu amor, de segurança e fará de tudo para agradá-la. Até mesmo abrir mão da sua verdadeira identidade tornando-se altamente infeliz por isto. Não espere nem mesmo que seus filhos te amem na intensidade que você os amou, nem que abdiquem de suas vidas porque você soube abdicar da sua. Não dê amor pra ser amada. Ame-se e aproveite enquanto está viva para se auto-realizar. Só você pode fazer isto por você.

Abraços, Luciana 

                        

                    

23 de jan de 2012

Bebidas e outras drogas. Conscientizar pra quê?

Estes últimos dias não tive como não ouvir uma avalanche de músicas de axé e pagode, já que uma tal prévia carnavalesca ocorre praticamente diante da minha casa. Festa patrocinada pelo governo e cheia de contradições.

Quer dizer, a gente passa o ano se esforçando pra ouvir o sussurrado "beba com moderação" e dá de cara com a avenida lotada de barracas de bebiba alcoólica, estacionamento de hipermercado vira ponto de venda de cerveja em atacado, no caminho da praia passo por um carro de som em formato de latinha da Brahma , a cidade respira álcool. Enfim, beber com moderação neste clima é pras minorias.



Não é privilégio nosso. Assim são as festas Brasil afora. Depois da ressaca, voltam as campanhas em geral. E lá vamos nós batalhar pela conscientização dos jovens e adolescentes. Como prevenir a gravidez não desejada? Como diminuir os índices de abandonos e mortes de recém-nascidos não planejados? São questões com as quais nos ocupamos durante todo o ano. E aí vem uma bem intencionada prévia carnavalesca para "divertir" a garotada e encher o bolso dos organizadores. E vamos ouvir e dançar por 3 dias comandos do tipo: "Menina tá na hora de fazer, Uh bebê, uh bebê.na cama, na sala, na rede, no capô do carro.Eu te pego de um jeito gostoso, safado e maneiro.Pra te enlouquecer, vou te dar prazer.Tô querendo mais, você pede mais, outra vez.Depois desse romance, nós dois viramos três."


Foto do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil
Gente!Desatrelar o ato sexual da concepção é um trabalho que vem sendo feito a anos, não somente pelo fato de que ter um filho é algo de extrema responsabilidade, que exige condições financeiras e emocionais dos pais, como pela própria emancipação da mulher. Sabe-se que hoje o instinto materno é algo questionável e que é normal que parte das mulheres não desejem ter filhos, embora queiram uma vida sexual ativa! No entanto, regada a bebidas alcoólicas de todos os tipos, entre outras drogas não utilizadas abertamente, a festa tem em seu repertório, entre outras tantas semelhantes, uma música deste tipo, tocada para um público na sua arrasadora maioria jovem/adolescente. 


O ECA diz claramente no Art. 81. "É proibida a venda à criança ou ao adolescente de bebidas alcoólicas. 
Art. 2º. Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade". Mas os médicos(as) do SAMU sabem que se vão trabalhar numa prévia carnavalesca, deverão ir prontos pra atender "as bebinhas", como se não houvessem os bebinhos (menores que abusam de álcool). É uma intoxicação por álcool anunciada! Basta montar o posto de atendimento e aguardar. 






Bebida à vontade, publicitários vendendo alegria "SEJA FELIZ NA AVENIDA", repertório musical que ora incentiva ao sexo, ora a violência ("bate ,bate, bate.. esquenta a mão neste couro" é um refrão que sempre instiga a pipoca dos blocos, causando confrontos e traumas) é o que temos por três dias consecutivos. Algumas letras, são verdadeiros desacatos a imagem da mulher. E meninas sentem-se compelidas a comportar-se segundo estas composições que, infelizmente, lhe servem de modelo.


"Quando chego na boate/Ela se excita/Levanta a garrafa de Whisky /A perereca dela pisca/ e ela pede/
Bota com raiva, bota com raiva..."

Existe controle de idade pra participação destas festas? Digo que não. Ao menos na prática. Grupos de meninas e meninos entre 13, 14 15 anos podem ser vistos e bebendo por qualquer um.Será que estou muito careta? Estou ficando chata? (sempre fui). Será que é mesmo o fim do mundo este 2012?

O último a sair, "por favor, apague a luz".

Luciana 






13 de dez de 2011

INCESTO



Considero o incesto como o maior abuso que uma criança pode sofrer. Sua prática normalmente faz uso também do abuso físico, emocional, moral, psicológico. A criança ou adolescente sofre as consequências não só do abuso sexual, mas de todos os outros. Indefesa, ela é atacada por todos os lados.  

Estudos sobre abuso sexual infantil (Finkelhor, 1994; Kristensen & cols., 1999) revelam que meninas são vítimas de abusos sexuais em maior freqüência do que meninos, principalmente, no ambiente familiar, e em um estudo feito por  Martha Giudice Narvaz, intitulado "Quem são as mães das vítimas de incesto?" , constatou-se que não só as mães também tinham sido vítimas de abuso sexual na infância, como também que, na atualidade, elas sofriam violência física e psicológica por parte do parceiro, declarando-se ainda dependentes e submissas, sentindo-se incapazes de reagir contra a violência sofrida por elas ou pelas filhas.

O que isto nos mostra? Que vítimas, quando não tratadas terapeuticamente, levam este fardo vida a fora, e tendem a continuar sendo vítimas de abuso - agora por parte do parceiro - e da mesma forma que foram impotentes na infância, quando adultas continuam impotentes a ponto de não conseguirem defender nem a si,nem as próprias filhas. As consequências do incesto se estendem  pela vida.



E por que a criança não fala, não conta o que está acontecendo?
Primeiro, ela muitas vezes não tem consciência do que está acontecendo.Não tem informação, nem desenvolvimento,maturidade para compreender o ato. Apenas sente-o como estranho, desconfortável, angustiante. Em casos mais alarmantes, onde ocorrem estupro de crianças menores que 2 anos, levemos em conta que elas ainda mal sabem falar! São casos onde há risco de vida para as crianças!

Já falei aqui no blog o quanto os filhos são suscetíveis aos pais, a família. Eles dependem de seus cuidados, de seu afeto,de segurança. Fazem de tudo para não perder o amor dos pais, ou substitutos e isto torna extremamente difícil a admissão e denúncia do abusador por parte da criança.Elas têm medo.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/12/09/pai-de-menina-morta-no-rio-diz-que-irmao-ja-havia-abusado-de-outras-sobrinhas.jhtm

Temem fortemente que não acreditem nela, sentem-se acuadas quando imaginam a possibilidade de "destruir" a família com sua denúncia (isso pode dar uma confusão,mamãe pode deixar papai, eu posso apanhar). Sente-se culpada e, normalmente, isola-se e sofre calada. Como a maioria dos abusadores sexuais infantis são membros da própria família (pais, tios, irmãos - pesquisas apontam mães em menor incidência), pessoas que estão acima de suspeitas, fica mais difícil ainda para criança contar. Elas sentem como se estivessem traindo a mãe, a tia, ou a avó, além de haver sempre a possibilidade de ser desacreditada.

Isto vira um tormento emocional para seres ainda tão imaturos, que a partir do primeiro dia de abuso sexual incestuoso, passam a viver uma farsa, condenadas a guardar o segredo e a transitarem  por sentimentos negativos e aflitivos de culpa, traição, quando não sentem-se "sujas", más e diferentes das demais crianças.


Já foi feita uma classificação para os  pais ou parentes que abusadores sexuais (de meninos ou meninas) e eles dividem-se entre:

-"molestadores que têm preferência por crianças" (são pedófilos, incuráveis segundo a Psiquiatria)

-"molestadores que usam crianças para substituir seus parceiros sexuais adultos". Estes são normalmente casados e usam as vítimas em fase de estresse elevado ou em fase de conflito ou insatisfação com sua parceira adulta.

Aproximam-se de forma camuflada de amor paterno, de proteção e carinho a fim de suprirem suas carências não resolvidas e muitas vezes acabam perdendo o controle e transformando o contato em algo sexual, com apalpar de seios, vagina, interesse por ver a filha tomar banho, de vê-la nua, desenvolvendo um ciúme doentio quando esta chega a adolescência.

É muito natural que os pais sintam-se inseguros e até mesmo temerosos quando filhos passam para a adolescência, quando começam a criar laços de afeto mais estreitos com outras pessoas. Mas, não é assim com o pai incestuoso (ou o tio, o padastro,ou qualquer outro parente)! Este passa a ter ciúmes descabidos e desproporcionais! Se sabe que a filha foi ao encontro do namoradinho, desequilibra-se e acaba ultrajando-a com ofensas verbais e insinuações maldosas, que projetam na filha a maldade e a sujeira que na verdade estão dentro dele. Não é incomum relatos de mulheres que foram nestes períodos chamadas de vadias, vagabundas, safadas,etc. Estes pais imaginam cenas, normalmente sexuais, que a filha pode estar vivendo com o namorado, revoltam-se e sentem-se traídos. Normalmente as agridem fisicamente por isto.

A adolescente senti-se conflituosa, suja e não concebe os seus sentimentos pelo namorado como naturais. Como eu disse: é um  tormento, um inferno emocional.



Quando o incesto ocorre por parte de pais com crianças ou adolescentes do mesmo sexo, além de todos estes tormentos, há grande possibilidade de que estes passem a duvidar da sua verdadeira orientação sexual.
Um garoto me confessou uma vez que não se sentia seguro para aproximar-se de garotas, nem para namorá-las, visto que por alguns anos seu tio, sempre que chegava da rua à noite, ia visitá-lo em seu quarto, sob pretexto de ver se ele estava bem, se estava coberto e fazia-lhe carinhos que com o tempo foram se acentuando, até que passou a manusear seus genitais e culminou no sexo anal. Ele chorava e sofria em silêncio. Sentia-se sujo e não sabia mais se era "homem". Tinha medo todas as noites de dormir. É uma dor imensa pra um adulto reviver tudo isto em terapia. É o limite do suportável, eu acho.

Então é uma situação de risco deixar uma criança aos cuidados de um homossexual? Sim, tanto quanto deixá-la aos cuidados de um heterossexual. A pedofilia é a preferência sexual por crianças e não está ligada a orientação sexual do pedófilo. Da mesma forma, abusadores incestuosos existem em todos os sexos, gêneros, classes sociais, culturas e raças.

Logicamente, agentes estressores como conflitos conjugais, baixa renda (há casais que compartilham com filhos(as) a mesma cama ou colchão, por só terem um quarto e uma cama), mães dependentes financeira ou emocionalmente dos maridos, famílias que não acompanham de perto os filhos, nas quais o diálogo é raro ou não existe,  abuso do álcool, entre outros fatores favorecem a efetuação do incesto.

Se você foi vítima deste tipo de abuso, não deixe de buscar ajuda profissional. Se você conhece algum pedófilo ou alguma criança que esteja sofrendo abuso sexual, ajude-a. Denuncie.E se leram este texto,podem comentá-lo.


Luciana 

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